Pesquisa mostra realidade de jovens brasileiros das classes C, D e E

Estudo encomendado pela Fundação Roberto Marinho e realizado pela Plano CDE aponta que jovens relacionam aprendizado a técnicas tradicionais, como leitura de livros

Ao analisar as percepções e expectativas de jovens das classes C, D e E, a pesquisa “Juventudes, Educação e Projeto de Vida” traz dados importantes que podem contribuir na elaboração de políticas públicas para amparar jovens de baixa renda. Os resultados obtidos foram apresentados com exclusividade no Webinar Formare, realizado em junho para coordenadores e educadores do programa, e lançado hoje, 21 de julho, para o público geral.

O estudo, elaborado pela Plano CDE, consultoria de pesquisa e avaliação de impacto, especializada em famílias das classes C, D e E no Brasil, e Fundação Roberto Marinho, foi apresentado por Isadora Castanhedi, coordenadora de projetos da Plano. Iniciada em outubro de 2019, a pesquisa buscou conhecer, de forma aprofundada, os jovens das classes mais desassistidas. 

Mais de 1.500 jovens participaram do estudo, que foi realizado em duas etapas: quantitativa, formada por alunos de 14 a 19 anos matriculados em escolas públicas; e qualitativa, com jovens do 9º ano do ensino fundamental e 3º do ensino médio, além de jovens de 15 a 17 anos fora da escola, e de 18 a 24 anos que não concluíram o ensino médio. Desse número, 51,7% do gênero masculino, e 48,3% feminino. Além disso, 67% faz parte da classe C, enquanto 33% integra as classes D e E. Com relação à raça, 43,7% se declarou parda e 26,1% preta. 

Quando questionados sobre projetos e sonhos, 59,5% dos jovens afirmam que a principal meta é concluir os estudos, mesmo inseridos em famílias com baixa escolaridade: 67% dos pais não terminaram o ensino básico. “Esses jovens têm pouca referência com relação à educação. Grande parte será os primeiros a completarem o ensino médio na família, isso se eles não evadirem”, aponta Isadora.

Os dados também mostram que aulas à distância não são uma realidade para essas classes, devido ao uso, quase exclusivo, da internet para navegar nas redes sociais. Além disso, 80% dos jovens acessam as redes por meio de um celular. “O mundo ideal seria que eles tivessem um computador e internet para conseguir estudar. E eles têm apenas o celular, com uma estrutura muito limitada”, afirma Isadora. A coordenadora relata que cerca de 80% dos jovens entrevistados não se sentem preparados para utilizar a internet para estudar.

Em depoimento recente ao #TBTFormare, os alunos Juan Carlo Ribeiro da Costa e Emanuele Nossar, do Consórcio Modular Resende, contaram as dificuldades que enfrentaram ao iniciar o ensino à distância. A mais significativa foi a falta de ferramenta adequada, como um notebook para produzir os trabalhos necessários. Os alunos conseguiram adquirir um equipamento ideal e acompanham as aulas com facilidade. Confira o depoimento completo aqui.

Leia o relatório “Juventudes, Educação e Projeto de Vida” na íntegra.