Pesquisa mostra aumento da desigualdade educacional na América Latina e no Caribe

UNESCO publicou um novo relatório regional sobre a educação no continente que mostra preocupação com o ODS 4

Antes da pandemia do novo coronavírus, a América Latina e o Caribe já era a região com maior taxa de desigualdade socioeconômica do mundo. A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em parceria com o  Laboratório de Pesquisa e Inovação em Educação para a América Latina e o Caribe (SUMMA), publicou o estudo “Inclusão e educação: todos, sem exceção” em que afirma que, apesar dos esforços que os países estão fazendo, a desigualdade aumentou, afetando, principalmente, a educação.

No Brasil, Argentina e no México, cerca de 20% dos alunos de 15 anos não têm um local adequado para os estudos em casa. Além disso, 88% dos professores no Brasil nunca haviam ensinado remotamente. Esses números mostram que a educação básica no país passa por dificuldade, tanto por parte dos alunos de baixa renda que não têm acesso a boas ferramentas para estudo, quanto a falta de verba para as escolas investirem na aula on-line.

No início do mês, o Congresso Nacional aprovou um projeto de lei elaborado pelo governo que retira R$ 1,4 bilhão do orçamento do Ministério da Educação (MEC) em 2020. Esse valor se juntará a outras retiradas, como R$ 148,7 milhões do Ministério do Turismo e R$ 9,9 milhões da própria Presidência da República, e será repassado para obras. O governo se comprometeu a repor o dinheiro, entretanto não especificou em quanto tempo o valor voltaria ao orçamento do MEC. A proposta foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro na última quarta-feira (11).

Para driblar a crise na educação, o valor orçamentário de 2021 precisa suprir necessidades básicas como preparação dos educadores e disponibilização de materiais para os jovens. Segundo o relatório, 58% dos professores da educação secundária no Brasil relatam dificuldade no ensino de alunos com necessidades especiais. Em 2015, todos os países se comprometeram com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4: educação de qualidade. Esse objetivo deve ser cumprido até 2030, porém devido à pandemia alguns países devem atrasar o cumprimento da meta.

De acordo com o relatório, jovens com deficiência, falantes de línguas indígenas e afrodescendentes têm a menor taxa de frequência escolar. Por isso, a UNESCO alerta para a necessidade de criação de políticas públicas de inclusão e também a preparação de profissionais para falar sobre o tema. O relatório também apresenta pontos positivos da região da América Latina e do Caribe: de 19 países, em todo o mundo, que têm leis para garantir a inclusão de toda a população na educação, dez estão localizados na região.

A UNESCO também definiu dez recomendações para os países seguirem e superarem a crise educacional.

  1. Ampliar a compreensão da educação inclusiva: ela deve incluir todos os alunos, independentemente de identidade, histórico ou habilidade.
  2. Direcionar o financiamento para aqueles que ficaram para trás: não há inclusão enquanto milhões não têm acesso à educação.
  3. Compartilhar experiências e recursos: esta é a única maneira de sustentar uma transição para a inclusão.
  4. Realizar consultas significativas com comunidades, pais e alunos: a inclusão não pode ser imposta de cima.
  5. Garantir a cooperação entre departamentos, setores e níveis do governo: a inclusão na educação é apenas um subconjunto da inclusão social.
  6. Abrir espaço para que atores não governamentais questionem e preencham lacunas: garantir que trabalhem para o mesmo objetivo de inclusão.
  7. Aplicar o design universal: garantir que os sistemas inclusivos atendam ao potencial de cada aluno.
  8. Preparar, capacitar e motivar os profissionais da educação: todos os professores devem estar preparados para ensinar todos os alunos.
  9. Coletar dados sobre, e para, a inclusão, com atenção e respeito: evitar rótulos que estigmatizam.
  10. Aprender com os pares: a mudança para a inclusão não é fácil.

Comprometida com a educação, a Fundação Iochpe criou ferramentas para incentivar a continuidade do Programa Formare durante a pandemia nas empresas parceiras no Brasil e México. A Fundação criou uma plataforma para realizar os processos seletivos 100% on-line, elaborou novos guias pedagógicos e realizou encontros mensais com temas como educação na pandemia. Essas ações foram essenciais para apoiar a rede de empresas que oferecem o Formare a jovens de baixa renda, ajudando a levar educação profissional de qualidade mesmo com o distanciamento social.