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"Formare é barato, fácil e dá resultado rápido", diz diretor de RH

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Paulo Borba é diretor de Recursos Humanos e Tecnologia da Informação da Navistar South America, líder mundial na fabricação de motores a diesel. Iniciou sua atuação na área de RH há mais de 30 anos, passando por todos os subsistemas de RH de empresas de grande porte no ramo de serviços, siderurgia, petroquímica, construção civil, mineração, pneumáticos, agrícola, montadora e autopeças e automação industrial. É o executivo responsável pelo desenvolvimento das políticas de RH e TI nas unidades da América Latina.

Nesta entrevista concedida em seu escritório corporativo no bairro paulistano de Santo Amaro, o dirigente gaúcho faz um balanço da parceria iniciada há 25 anos com a Fundação Iochpe e dos ganhos que empresa, comunidade, colaboradores e jovens adquirem por meio do Projeto Formare.

 

Crédito das imagens: Cris Meinberg/Arte Formare


Formare - A Navistar South America está entrando no 25º ano de atuação com a Fundação Iochpe. Que balanço vocês fazem desta parceria? Está valendo à pena? Por quê?


Paulo Borba - Para nós, esta pergunta se confunde com a própria origem. A Escola nasceu dentro das nossas operações, ainda como Iochpe [no ano de fundação do projeto, em 1988, a Escola Formare tinha o nome de ETIM - Escola Técnica Iochpe-Maxion], mas surgiu conosco. Era o nosso ambiente. Por isso temos este sentimento, muitas vezes, de “propriedade” em relação ao Formare e sempre o consideramos uma ação extremamente importante.

O projeto vale à pena, sim. Ele é uma âncora dentro da cultura da empresa. A planta de Santo Amaro (SP) é exemplo típico: quando adquirimos esta unidade, em 2005, o primeiro programa que trouxemos para demonstrar a todos os colaboradores como é a cultura da empresa foi o Formare. Ele é símbolo dos nossos valores, do que praticamos, queremos e esperamos de nossos profissionais.


 

Formare - E os jovens, há muita diferença entre os que entram no curso e os formandos? Em que sentido?


Borba - A diferença é notória e muito evidente. É impressionante e não só cultural, mas física, mexe no físico dos alunos. O cara se arruma melhor.

É assim: quando estamos bem e curtimos alguma coisa, isso mexe com a nossa vaidade. É a primeira coisa que a gente altera. Quando começamos a desgostar da gente, deixamos a barba, cabelo comprido, usamos as mesmas roupas, não “damos bola” para detalhes. Falar da questão de valores e moral é uma prática difícil de ser comprovada, mas, para nós, esta é a prova mais evidente que existe em relação ao bem que este programa faz para a transformação dos jovens.

 


Formare - E como está sendo a colocação profissional destes jovens na Navistar? Vocês podem nos informar uma média histórica de absorção dos ex-alunos? E as empresas do entorno, conhecem o projeto e dão oportunidades para os egressos?

 

ENTREVISTAS ESPECIAIS

Borba - A média de absorção dos formandos no mercado de trabalho, como um todo, é acima de 90% e, ultimamente, tem sido de 100%. Já o nosso aproveitamento interno depende de momentos. Houve tempo em que aproveitamos todos e, em outros, quase nenhum. Temos como regra absorver 10%, pelo menos. Ou seja, no mínimo dois de cada turma ficam aqui na Navistar. Mas tem uma oscilação ao longo do tempo porque dependo de oportunidades. Ultimamente temos aproveitado mais porque temos crescido em relação ao nosso negócio e a lógica me diz que, se estou formando uma pessoa dentro da cultura que quero, vamos aproveitá-la.

Basicamente, a grande transformação que conseguimos com o Formare foi sair da profissionalização em termos técnicos para uma comportamental. O cara entender que o que o segura dentro de uma organização são atitude e comportamento. Costuma-se dizer que 90% das demissões são feitas por comportamento e atitude. É mentira, é 100%. 100%! Pode pegar qualquer exemplo. Tu chega para mim e diz assim: “Olha, Borba, quero encerrar o contrato de trabalho com este colaborador”. Daí pergunto o porquê e tu me responde: “Ele está tendo uma performance baixa, não está tendo o resultado esperado…”. “Sim --respondo--, mas, se ele não está tendo o resultado esperado, vamos tentar treiná-lo.” A resposta: “Não, mas ele não quer muito aprender…” “Sim, mas vamos ensiná-lo…”, digo. E você: “Ah, o cara é um ‘mala’, não quer aprender, não colabora!” Então está aí a questão…é sempre a atitude. Porque, por mais que se tenha uma deficiência técnica, se estou disposto a aprender, a empresa consegue reverter determinadas situações. É o que chamamos de talento.


Talento é um gráfico [neste momento, Borba cria, com o dedo, um gráfico imaginário traçando linhas sobre a mesa de trabalho] de relação entre disposição para aprender [traça uma linha reta superior] por performance de entrega [traça uma linha reta inferior]. O cara que tem grande disposição para aprender e te entrega muito é um talento. Não tem aquele que te entrega um monte de coisa, mas não tem mais disposição para aprender? Ele está acomodado, tu precisa tirá-lo da zona de conforto e mexer com ele. Quando temos os jovens do Formare, por exemplo, que estão loucos para aprender, mas ainda não entregam, é preciso treiná-los para que possam entregar alguma coisa. E tem aqueles que não têm disposição e não entregam, daí você os manda para o concorrente (risos).

 

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Formare - Quais são os ganhos profissionais mais evidentes para os colaboradores que aderem à causa voluntária, ou seja, que habilidades os educadores têm aperfeiçoado após as aulas e contato com os jovens?


Borba - O Formare agrega internamente porque é contra o “faça o que digo, não faça o que faço”. Começa a ficar complicado exigir ou passar para os alunos determinada postura em um treinamento e, quando eles vão fazer estágio dentro das áreas, perceberem que tu não pratica o que fala. Então, o projeto faz com que estes colaboradores, que são voluntários, se tornem multiplicadores e praticantes da nossa cultura nos próprios locais de trabalho. É o que sempre digo: cultura só acontece quando se pratica. Botar no papel e na parede é lindo. Agora, fazer acontecer é uma coisa completamente diferente. Essa é a grande dificuldade. Em quantas empresas a gente escuta assim: “Aqui somos uma família”. Bom, então aja como uma família. Agir como família é puxar a orelha de vez em quando, celebrar, fazer festa. É ter este tipo de vínculo.



Acho, portanto, que estes são os ganhos. Tu percebe capacidade produtiva maior, orgulho...sem dúvida, quando o voluntário vê uma formatura ou é agraciado com uma homenagem, se sente maior, mais forte e poderoso. Isso ele leva para dentro de casa, multiplica para o vizinho, aumenta o orgulho em relação à própria organização pelo que faz. Não temos dúvida de que os ganhos são muito maiores do que os que a gente mensura. Há muitos outros casos, sobretudo individuais, em que constatamos melhorias até na relação com os filhos, gente que tinha alguns problemas em casa e, depois das aulas do Formare, conseguiu lidar melhor com isso. Há ainda relação de o menino ou menina fazer contato com o filho do colaborador, começar uma amizade. Já aconteceu aqui até com a filha de um dirigente. Ela ficou amiga de uma ex-aluna do Formare, que, por sinal, hoje trabalha aqui conosco, no RH.



Formare - Você acha que o Formare substitui ou poderia substituir para os educadores voluntários, por exemplo, cursos/treinamentos de liderança e team building?


Borba - Percebemos, por exemplo, que o Formare é extremamente importante para que os colaboradores, principalmente executivos, tenham a oportunidade de passar, pelo menos uma vez ao ano, na sala do Formare para bater um papo. Nossos diretores costumam ir lá e contar suas histórias ou falar de algo que possa agregar. Falo muito com eles sobre as profissões, o que escolher daqui para frente, porque eles têm muitas dúvidas, acham que somente curso superior é o melhor da vida, mas há muitas opções. Oriento, inclusive, sobre como escolher o curso, o que fazer, e não ir por nome ou por achar bonito.

Fazemos isso, então, como uma forma de utilizar a pessoa para falar. Por quê? Porque, de novo isso, uma vez que tu consegue manejar um pouco esse processo de alunos, sem dúvida nenhuma tu vai ter retorno...Na sala tu tem uma diversidade enorme: são 20 cabecinhas de origens e reações completamente diferentes, com inquietações e questionamentos. No início não te respeitam, mas, com o tempo, tu vai mudando a postura deles. Então, sem dúvida nenhuma, isso agrega muito para a pessoa se tornar um líder. Acho que não é isso sozinho, mas agrega - e muito.


 

O Formare é um exercício que serve para várias coisas: melhorar a relação com a família, o rendimento no colégio, enfim, mas afirmar que o cara vai ser líder porque fez o Formare, não. O projeto é uma ferramenta interessante, mas, no dia-a-dia, é um pouco diferente.

Formare - Imaginemos o seguinte cenário: você tem dois ótimos colaboradores disputando vaga em uma área. Um deles é educador voluntário do Formare; o outro, não. Quem você escolhe? Tem alguma diferença para você?

Borba - Te diria que o voluntário está um pouco mais “aflorado” para algumas questões. No nosso caso, por exemplo, aquele que é um educador tem a vivência da prática, da cultura e dos valores da empresa mais “à flor da pele”, mas seria injusto dizer que esta é a grande diferença em relação aos outros funcionários. Não. Às vezes alguns não estão no Formare por falta de tempo mesmo. Agora, te diria que o voluntário estaria num estágio mais avançado para obter uma reação mais rápida.

Formare - Matéria publicada na revista “Carta na Escola” (dezembro de 2011/janeiro de 2012) diz que a educação profissionalizante vive a maior fase de expansão já experimentada no Brasil. No entanto, ainda temos carência de profissionais no mercado. Desta forma, como vocês avaliam a importância do Formare neste papel de dar formação técnica básica?

Borba - A importância é fundamental e ter o funcionamento ao longo destes 25 anos de parceria nos fortificou muito, quer seja pela formação de mão de obra, pelo respeito da comunidade ou pela admiração.

 


Formare - Partindo deste cenário, como está a imagem da Navistar diante da comunidade?

Borba - Muito boa pelo próprio aspecto de termos como prática visitar o entorno das nossas fábricas para captar jovens para o projeto, que tornou-se muito conhecido. Existe uma expectativa em torno do processo seletivo quanto à absorção deles. Mas gostaria de compartilhar uma percepção minha: fala-se tanto desta história de que o [ex-presidente da República] Lula moveu a classe D de pobreza, de mais de 30 milhões de pessoas, para a classe C. E a gente começa a olhar e materializar isso pelas pessoas. Durante as formaturas, tanto aqui, como em Canoas (RS), me chamou a atenção que, quando a gente chamava os parentes para subirem ao palco, tu percebia claramente a origem. Hoje você não vê ninguém mal arrumado. Antes, você via que a pessoa era paupérrima. Agora, a partir de pequenos valores, a pessoa consegue adquirir algumas coisas que não tinha o mínimo acesso lá atrás.

E isso, pelo prisma do Formare, desencadeia uma série de questões, como, torno a dizer, o respeito da comunidade para com o projeto e a empresa, além de outras ações. Porque, um dos princípios que temos dentro do próprio Formare é que, ao longo do ano, os alunos tenham a obrigação de participar de um projeto social. Eles retornam a essência do projeto para os outros.

 

::OUÇA A OPINIÃO DE PAULO BORBA SOBRE O FORMARE

 

Áudio 1

Reprodução

 

Áudio 2

Reprodução

Formare - Por que nos apaixonamos tanto pelo Formare?


Borba - Não é só que a gente gosta, nos sentimos “proprietários” do Formare (risos). A grande virtude é que o programa foi construído ao longo do tempo e nós, especificamente, nos sentimos muito parte desta construção. A própria Evelyn [Berg Ioschpe; diretora-presidente da Fundação Iochpe], quando nos visitava, falava de superar desafios e estávamos sempre dispostos a trabalhá-los, sendo precursores de ações que ela própria nem pensava no momento.

Então é isso: este sentimento de posse, de ter esta evolução muito próxima na empresa, de o projeto ser, de novo, âncora da nossa cultura. Se tu observar, nossas Escolas estão dentro das fábricas, principalmente em Canoas. Aqui, em Santo Amaro, ainda não conseguimos um espaço definitivo, mas, na futura planta, o Formare estará no meio da fábrica. No meio. Vamos tirar área de produção que qualquer funcionário do setor poderia achar um absurdo. Vão julgar que estamos suprimindo uma área “nobre”, de manufatura, para instalar o Formare. Mas por que fazemos isso? É para todo mundo ver mesmo, participar desta lapidação, quer seja dentro da sala ou indiretamente.  

Também seria injusto se dissesse que os educadores voluntários são somente aqueles que estão dentro da sala. Fato é que são todos aqueles que convivem juntos e que, às vezes, esquecemos de mencionar na formatura: são os que recebem bem os jovens para a prática do estágio, por exemplo.

Formare - Percebemos claramente o seu envolvimento com o projeto. Você o indicaria para outras pessoas e empresas?

Borba - O Formare é uma bela oportunidade para construir a tua cultura e usar a Escola para multiplicá-la dentro da empresa. Cada dia mais vemos que as empresas têm que demonstrar como são. A grande diferença no mercado não é mais tecnologia nem produto, mas, sim, as pessoas, a organização. Você tem, hoje, dois lados com gente: um que está comprando e outro que está vendendo. E este negócio é realizado por pessoas, não por máquinas. Então, tu compra o produto, muitas vezes, pela admiração, simpatia...quantos lugares visitamos, e que não são os melhores lugares do mundo, mas freqüentamos porque somos tratados bem? Exemplo: tem o Fasano [restaurante da zona oeste de SP], que é lindo e maravilhoso, mas, às vezes, você vai ao bar do seu José e ele sabe como gosto da minha Coca, do chope, do prato, ele conhece o nome do meu filho, viu-o crescer etc. E assim é a relação dos negócios. Então, está muito claro que a sustentação do mundo dos negócios são pessoas. Ora, se são pessoas e a gente quer dizer para elas como a gente é, nada melhor do que usar um programa como o Formare que é simples, na sua essência, mas que tem capacidade de demonstrar para todo mundo como realmente funciona a sua organização. Porque, se os jovens não saírem bem do curso, é porque sua cultura não está legal. Se eles saem bem, você está reforçando a mensagem de que sua cultura está bem.



Formare - Então você pode dizer, com segurança, “façam o Formare”?


Borba - O Formare é uma oportunidade imperdível: simples, barata, fácil, que dá resultado rápido e uma demonstração de prática muito convincente. Às vezes a gente fica se preocupando em fazer um super programa, mas não precisa (Por Cris Meinberg e Edson Lovatto, de São Paulo).

 

 

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Comentários  

 
#6 Reinaldo Forte 10-07-2012 11:38
Grande Paulo,

Parabéns pela entrevista. Mesmo a distância e com saudades, acompanho o amigo.

Rei
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#5 CLEITON 19-04-2012 13:36
Parabéns ao Borba pela reportagem, sábio nas palavras e principalmente nas ações!
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#4 Fábio Silva 16-04-2012 11:11 Escola Formare Hortolândia
Parabéns pela reportagem. Concordo com todas as palavras do Sr. Paulo Borba. E sou muito feliz em ser um Educador Voluntário FORMARE.

Abraços
Fábio
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#3 Derli Wagner 14-04-2012 09:20 Escola Formare MWM International
Ótima entrevista, ótima abordagem e com propriedade (literalmente) porque a história do Formare está ligada à nossa empresa. A mensagem que fica: "Nós podemos ajudar a mudar o destino das pessoas, das empresas e do país, mas também o futuro colaborador precisa fazer a sua parte".
Nem tudo está perdido. Parabéns.
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#2 DanielaGonçalves 13-04-2012 15:43 Escola Formare Mahle
Que bacana esta entrevista, hein, Cris?!!!!
Edson, parabéns por seu lindo trabalho!!!!
Beijos e um ótimo final de semana!
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#1 CristianoWeidle 13-04-2012 15:12 Escola Formare Insolo
Parabéns pela reportagem.
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