Formare não é qualquer ação social, é “O” projeto, diz diretora da Schaeffler

Formare: De que maneiras o Formare atua no desenvolvimento dos funcionários (voluntários ou não)?
Rosana Bacciotti: O Formare contribui de diversas formas para o desenvolvimento dos empregados. No caso dos educadores voluntários, já começa pela própria administração do tempo, afinal isso é fundamental para que se consiga conciliar as atividades diárias de sua função na empresa com as de educador. Outro destaque é o desenvolvimento da comunicação, que naturalmente é aprimorada com o contato com os alunos, o que reflete no dia a dia dessa pessoa na empresa. O programa também contribui muito para o desenvolvimento da autonomia, do empoderamento que faz parte de uma das competências que buscamos na empresa. Ao se envolver com o Formare, o colaborador se sente responsável por isso. Dessa forma o programa se mantém vivo na empresa.

Outra competência que é desenvolvida, ao se envolver com o Formare, é a de “pensar fora da caixa”, pois muitos têm formação técnica, como um gerente de produção ou assistente administrativo, e estão dando aulas de cidadania, alemão ou inglês, por exemplo, exercitando habilidades adicionais. Além disso, o educador voluntário volta das aulas tão motivado que transmite isso e contagia toda a equipe. A organização vê os educadores como pessoas de referência que exercem liderança positiva, motivando os demais colaboradores.

Formare: O Formare auxilia no comprometimento dos colaboradores e na retenção de talentos?
Rosana: De certa forma sim, pois eles se veem como pessoas especiais na organização; sabem da responsabilidade que têm no papel social. Circulando por muitos lugares, no meu papel de RH, pude perceber que as pessoas, de forma geral, querem fazer o bem. Mas num contexto empresarial, com tantas tarefas diárias, além da vida pessoal, fica complicado exercer a responsabilidade social. Então, ter um programa social como o Formare dentro da empresa é uma possibilidade para que essas pessoas exerçam a cidadania. Elas se sentem mais motivadas e engajadas.

Formare: E o funcionário consegue enxergar que a empresa está dando essa oportunidade?
Rosana: Com certeza. Ele se enxerga como sendo um diferencial da empresa. O Formare é um fator de motivação adicional, porque nem tudo é salário e benefícios. O clima organizacional é influenciado também pelos relacionamentos. Com o Formare, essas pessoas se transformam à medida que ajudam na transformação dos jovens. Isso reflete tanto na vida profissional, quanto pessoal. Assim, os colaboradores que participam do projeto têm um engajamento maior em relação à empresa.

Formare: Como você avalia o desempenho dos ex-alunos que foram contratados pela empresa após a conclusão da formação? Eles possuem diferenciais competitivos?
Rosana: Sim, quando você desenvolve alguém desde a juventude na sua empresa, com pessoas que são exemplares em termos de valores e atitudes, os jovens recebem formação técnica, comportamental, valores e são inseridos na nossa cultura organizacional. Isso é muito valioso. Assim, quando eles ingressam na empresa na sequência do curso, já possuem essas competências desenvolvidas. Mas, o grande diferencial é que eles têm exemplos, referências, que guiarão o padrão de comportamento. Esses jovens são pessoas com tendência a serem mais engajadas, dedicadas e que vão saber dar valor à organização porque não olham só o presente, mas também o futuro. Eles tiveram uma chance e querem se desenvolver mais, continuar estudando, pois sabem que é uma empresa que dará oportunidade a eles, que investe em treinamento.

Formare: Qual é a importância do Formare para a formação do jovem?

Rosana: Oferece a oportunidade da inserção do jovem no mercado de trabalho e dá a oportunidade de desenvolvimento profissional e pessoal, por meio da vivência na empresa e com o convívio com os educadores voluntários. Com isso, os jovens se motivam a buscar mais conhecimento e crescimento profissional. Para a empresa, é uma oportunidade de chegar à comunidade local e recrutar novos profissionais, dando a formação a eles desde o início, o que contribui muito para o ganho de um profissional bem capacitado.

Formare: O que diferencia o Formare na Schaeffler, que aposta no programa há vários anos?

Rosana: O segredo é combinar formação teórica e prática, mas principalmente o amor com que o projeto é acolhido aqui, especialmente pelos educadores voluntários. Eles têm o compromisso de fazer acontecer e não ser só um projeto adicional na empresa, mas “O” projeto. As pessoas se dedicam e têm uma relação que vai além de sala de aula, que é a missão de transformar esses jovens em cidadãos, em pessoas melhores. Além disso, toda a família Schaeffler se envolve com o programa. A participação da alta direção no sistema de aulas VIPs, nas quais vice-presidentes e diretores ministram aulas adicionais contando um pouco de sua vida e experiência, também valoriza muito o programa. Os jovens se inspiram nesses exemplos e se enxergam nessas posições futuramente. Isso desperta autoconhecimento e projeção social de crescimento e desenvolvimento em todos os aspectos, não apenas profissionalmente.

Formare: Em cenário de crise há empresas que procuram equilibrar suas finanças cortando investimentos em responsabilidade social. Na Schaeffler, o Formare continua sólido. Estrategicamente, vale a pena para reputação e imagem da empresa manter o programa? Por quê?
Rosana: Os jovens formados aqui levam consigo o reconhecimento pela empresa. Além das habilidades técnicas que adquiriram, eles se desenvolvem como seres humanos que vão influenciar a sociedade como cidadãos. Sem dúvida, isso vale muito mais do que qualquer propaganda, pois é falado do coração, pela vivência. Como na maioria dos projetos sociais, não conseguimos mensurar o retorno financeiro, mas para nós é um investimento que vale a pena. Crise vai, crise vem, sabemos das ondas, mas o programa faz parte da educação e do desenvolvimento das pessoas. Nos momentos de maior crise é quando devemos investir mais na formação dos profissionais internos e dos jovens, porque é a forma que a empresa tem de reverter a situação. Em termos de desenvolvimento, nós continuamos investindo. A nossa intenção é fortalecer cada vez mais o Formare.

Formare: Podemos dizer que, além de todos os seus diferenciais, o Formare também representa economia no treinamento de pessoal e em processos de seleção?
Rosana: A economia não é o foco, então acabamos não tendo esse olhar, mas é matemático. À medida que tendemos a contratar esses jovens dentro do turn over natural da empresa, com certeza é uma economia de recrutamento e seleção, além de termos de formação, pois eles jovens entram na empresa já adaptados, aculturados, completamente inseridos no ambiente de trabalho. Com isso, poupamos um período grande de integração.

Formare: Imagine a seguinte situação: você está em uma reunião com representantes de várias empresas potencialmente interessadas em implantar o Formare. Em poucas palavras, como você definiria e indicaria o programa?
Rosana: É um diferencial em termos de responsabilidade social, um investimento que volta para empresa como um benefício muito grande, tanto para os educadores, quanto em termos de recursos humanos. Fazer parte do Formare é um fator motivacional, pois além de ser reconhecido por toda comunidade da organização, desperta orgulho. Hoje, o diferencial de uma empresa é a percepção de seus funcionários. Ter o Formare dentro da empresa traz um ganho imenso de motivação e orgulho de pertencimento.

Formare: Em sua trajetória profissional você já teve passagens por empresas que são ou já foram parceiras do Formare. O programa é realmente um diferencial para a área de recursos humanos?
Rosana: Uma das coisas que me atraiu quando vim para a Schaeffler foi saber que tinha o Formare. Do meu próprio depoimento posso dizer que o Formare influencia e motiva sim as pessoas e pode ser um fator de atração. Eu sou de RH e por isso faço algumas leituras em paralelo: se a empresa tem o Formare, é porque se preocupa com responsabilidade social, formação, desenvolvimento e não coloca apenas o aspecto financeiro como prioritário. Sou bastante focada em resultado, mas as pessoas estão no centro da minha vida e trajetória profissionais, por isso foi muito positivo saber que eu teria a oportunidade de gerenciar o Formare dentro das práticas de desenvolvimento da empresa. O programa Formare é um diferencial para a área de recursos humanos, sendo motivo de orgulho pra mim e para toda a organização Schaeffler.

(Cris Meinberg e Juliana Mantovani | 6/10/2015)

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